Dias Febris, de Francis Graciotto

Todos já ouvimos falar de apocalipses zumbis. Somos bombardeados com, talvez, um dos maiores expoentes, dentre as criaturas que permeiam o terror, que são os mortos-vivos.

Já os vimos se arrastar, balbuciar “cérebros”, se levantar do nada e até mesmo correr! Neste momento pensamos: é um tema esgotado, saturado e, até mesmo, cansativo. Mas Francis Graciotto vem nos mostrar que estamos redondamente ou, deveria dizer, febrilmente enganados?

Primeira grande sacada do autor foi criar contos que permeiam sua história principal. Dias Febris não é a história principal. O livro que originou tudo foi Febre Vermelha, o qual ainda não li, mas pretendo, muito em breve. Dias Febris nos traz olhares interessantes sobre o acontecimento que se deu no livro principal, sem que mesmo tenhamos lido o primeiro livro. Uma aposta ousada e que deu certo, pois, agora, estou curioso com o primeiro livro. A leitura deste não necessita que este você leia o anterior. Fica aquela dúvida sobre o que diabos está acontecendo? Verdadeira semente do mal esta dúvida! rs

Segunda grande sacada foi ambientar no Brasil. Ficou muito próximo do leitor a ideia de que o incidente poderia estar afetando seu vizinho de porta ou mesmo o jornaleiro da esquina. Acabamos sendo agraciados com a intimidade da vida brasileira sendo assolada pelos problemas de uma epidemia insana que transforma seus conterrâneos em máquinas famintas de matar.

Terceira grande sacada foi mostrar que durante a hipotética ocorrência de um apocalipse desta natureza, onde as estruturas sociais se esfacelam por completo, junto são perdidas todas as amarras morais e éticas do indivíduo. Ok, já vimos isso várias vezes em filmes e séries, mas, quando falamos de nossa nação, a questão é colocada em perspectiva. Apesar de todo dia tratar meus semelhantes bem, será que isso teria valor quando não existe mais tecido social algum? Teríamos então aberto a Caixa de Pandora das culpas e mesquinharias revelando assim nossa pior faceta?

Não existe como ler Dias Febris e não pensar em pequenas coisas cotidianas. A reflexão automática nos coloca em torpor ao percebermos quão frágil são os laços que nos unem. Exatamente nesse momento percebemos que os zumbis sempre irão nos assombrar, não porque são perigosos, mas sim por eles encarnarem nossa pior imagem.

Fica a questão no ar – somos nós que temos a sorte de estarmos vivos ou eles por estarem libertos?

Acho que estou com febre depois de pensar estas coisas…

Dias Febris é um livro da Cultura em Letras Edições, de 2018.

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