O Rei Amarelo em Quadrinhos

Quando Robert W. Chambers escreveu o conto O Rei Amarelo, fez uma crítica aos artistas e escritores de sua época em relação à necessidade absurda de atingir uma primazia utópica na arte. Talvez ele não tenha imaginado a porta que acabaria por abrir ao falar sobre uma loucura tão extrema e mítica, que perturba profundamente quem lê seu conto. A loucura que Chambers propõe mostra o exagero da perfeição e sua crítica de época perdura, até hoje, como reflexão, influenciando tantos outros escritores que vieram depois dele. Caso não conheça a obra de Chambers, vale ler o livro O Rei Amarelo.

Esta influência é percebida pela quantidade enorme de autores e artistas que nos trazem contos, histórias, quadrinhos, imagens e filmes sobre o estranho Hastur e a obscura cidade de Carcosa. Esta cidade não foi criação de Chambers, tendo aparecido pela primeira vez no conto Um Habitante de Carcosa de Ambrose Bierce. Chambers pegou emprestada a criação de Bierce, descrevendo-a como um antigo lugar misterioso ou mesmo amaldiçoado e nela, localiza muitos de seus contos. A cidade com isso ganha notoriedade em vários contos e histórias de outros autores, como o lar do maldito Hastur, um dos Grandes Antigos, como também uma criação de Bierce. 

Neste cenário de insanidade surge a peça O Rei Amarelo e inevitavelmente quem assiste ao segundo ato da peça enlouquece podendo até mesmo morrer.

Foi seguindo estes passos que Raphael Fernandes organizou O Rei Amarelo em Quadrinhos. Ele reuniu oito histórias que abordam as terríveis consequências causadas pelo conhecimento da nefasta peça de teatro homônima, bem como, obviamente, o conhecimento da existência do próprio Hastur. As histórias deste quadrinho nos causam essa sensação de quebra da realidade e de estarmos realmente ficando loucos. A loucura vem em terríveis doses, aos poucos, levando o leitor como cúmplice desta derrocada mental. A desgraça dos personagens é contagiante, criando outras vítimas as quais, normalmente, são pessoas próximas.

O Rei Amarelo em Quadrinhos - Raphael Fernandes - Editora Draco - Canto do Gargula
O Rei Amarelo em Quadrinhos – Editora Draco

Das histórias, as que mais gostei foram:

  • Fantasmas na Máquina, de Pedro Pedrada, a qual nos leva a refletir sobre um tema bastante atual: as redes sociais;
  • A Boneca, de Tiago P. Zanetic, no qual a loucura cresce sem que ninguém a perceba até ser tarde demais;
  • A Rainha em Amarelo, de Maurício R. B. Campos, uma homenagem muito legal a Edgar Allan Poe;
  • Taxidermia Anímica, de Raphael Salimena, onde um pacto sinistro leva dois jovens ao extremo. 

O visual de todas as histórias foi executado em preto, branco e amarelo. Alguns artistas usam mais o amarelo, já outros o deixam sutil em partes das imagens. Esse pequeno detalhe ressalta a angústia da loucura que as histórias se propõem a causar. Vale menção aos traços de:

  • Pedro Pedrada (Fantasmas na Máquina)
  • LuCAS Chewie (A Boneca)
  • Péricles Ianuch (A Rainha Amarela)
  • Raphael Salimena (Medíocre)
  • Samuel Bono (Taxidermia Anímica)

Não são histórias fáceis, nem deveriam ser. São pesadas como imagino que seja a loucura e essa característica é a maior qualidade desta coletânea. Ela trata de mentes em cacos, destruídas pelo conhecimento que a peça, O Rei Amarelo, revela a quem a assiste. 

Com certeza, um trabalho muito bem executado e que vale ser apreciado.

Raphael Fernandes foi quem organizou O Rei Amarelo em Quadrinhos, lançado em 2015 pela Editora Draco. Este volume inicia uma série de três volumes organizados também por Raphael sendo eles O despertar de Cthulhu em Quadrinhos (lançado em 2016) e Demônios de Goetia em Quadrinhos (lançado em 2017).

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