Eu, Monstro – um tributo aos antagonistas

Um livro de grandes contos

Coletâneas como Eu, Monstro, organizada por Rafael Tsuchiya, publicação da Editorial Hope, é um verdadeiro tributo aos antagonistas. São como caldo em ebulição e vários autores dão seu melhor com seus textos, ficando ao organizador o trabalho de curadoria de escolher os melhores contos.

Eu Monstro - Rafael Tsuchiya - Editorial Hope - Canto do Gárgula
Eu Monstro – Rafael Tsuchiya – Editorial Hope

Esse trabalho não é fácil mesmo. Temos neste volume a prova disso. Imagino os vários contos pré-selecionados, que não devem ter sido poucos, e imagino a tarefa hercúlea de escolha dos que mais se destacaram e que hoje estão no livro. Um trabalho sofrido mesmo!

Porque Eu, Monstro?

A narração aqui fica com os vários monstros, alguns famosos e outros não, mas todos realizadores de seus objetivos: levar o medo e quem sabe muito mais às suas vítimas. Um tema de inverte o contar, deixando ao monstro sua visão peculiar dos fatos! 

A capa merece elogio, pois está sinistra e linda. Quem assina a arte é Luiz Feitosa. O prefácio fica por conta de Soraya Abuchaim.

Meus contos preferidos

Elencar os melhores entre os melhores já cai no colo dos resenhadores. Fica aqui minha menção à alguns dos contos que chamaram minha atenção mesmo.

Por trás da pedra, de Rodrigo Ortiz Vinholo talvez seja o mais belo conto de toda essa obra. Utilizando a Medusa como narradora, ele mostra a loucura humana transfigurada de obsessão. Seu final incrível e merecido é um êxtase ao leitor. Um conto que facilmente poderia ser uma fábula poética e terrível! 

O tempo da morta-via, de Julia do Passo Ramalho faz uma reflexão incrível sobre o tempo pelos olhos de uma zumbi. Como ela lida com sua nova vida da melhor forma possível se agarrando nas poucas lembranças que ainda não apodreceram.

Brincadeira do copo, de Paloma Sama, traz uma dureza e uma raiva que extrapola o texto,  chegando até o leitor. O conto é inquietante com sua tensão. Adorei a atmosfera. 

Corruptível, de Letícia Lopes, toca em pontos como abuso e violência através das experiências de um dybuuk, espírito obsessor do folclore judaico, que possui suas vítimas enquanto vaga pelo mundo em busca da sua próxima. Incrível e assustador.

Lobisomem na cozinha, de Walter Silva tem o típico final que eu adoro, onde se encontra a fagulha maravilhosa que permite o leitor ficar imaginando o que vai acontecer agora. Simples e eficiente, são suas qualidades mais importantes junto ao final aberto impactante. 

A velha no telhado, de Simone Paulino é um conto tétrico e ao mesmo tempo, empático. A relação da Pisadeira com a vítima é simplesmente arrebatadora. O final é incrível! Merece estar entre os melhores sim! 

Pássaro Negro, de Letícia Medeiros, nos leva aos olhos de um poderoso demônio vendo os atos macabros de uma bruxa pactuante levar terror e morte para quem atravessava seu caminho. Mas mesmo ela precisa pagar a sua parte! Macabro!

A Ilha dos Degenerados: Fuja Enquanto há tempo, de Fábio Luiz de Souza se utiliza de uma variação perversa de A Ilha do Dr. Moreau, para alavancar a questão clássica de quem é o monstro afinal? Ele além disso têmpera com elementos clássicos que entregam ao leitor um conto terrível e de final aberto. Excelente! 

Monstro, Eu brinca com a inversão do título do livro. De autoria de J. F. Dell, ele nos mostra uma visão de uma sociedade doente que se utiliza de estereótipos para a criação de um racismo e xenofobia completamente arraigados dentro de si mesma. Facilmente traçamos paralelos entre os grupos minoritários de hoje que buscam vez e voz e achei isso incrível. Torcemos pelo monstro ao final. O conto nos deixa a reflexão maior do que estamos fazendo com o próximo se não o aceitamos e respeitamos pelo que é. Atual, forte e necessário. 

Além desses autores temos ainda os contos de Amanda Reznor, Oscar Nestarez, Tábatha Gagliera, R. A. Tasuchiya, Bárbara Pippa, Sávio Batista, Elias M. Arthur, L. J. Brunh, Cacau Correia, Aline Cristina Moreira, J. J. Júnior, Bruno Costa, Kadu Hammett, Úrsula Antunes, Heloysa Galvão, Gabriel da Costa, Lidervania Martins e Pedro Coppola. Com certeza algum vai lhe agradar!

Conclusões finais

Mesmo elencando os contos acima, os demais são todos muito bons. Eu, Monstro é um livro excelente de ser lido. Nele você se encontra com vários autores e descobre inúmeros talentos.

Estilo de texto é umas das boas coisas a serem descobertas pelo leitor. Essa identificação só é possível de ser feita pela leitura.

Venha ler esse ebook e escolher os seus contos favoritos. Será que temos escolhas em comum? Me conta depois de ler!

Boa leitura! 

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