Canto do King: A Autoestrada

Coluna Canto do King - Larissa Prado - Canto do Gárgula
Coluna Canto do King – Larissa Prado

O outro lado de King

Hoje na Coluna Canto do King, vamos falar de uma obra escrita por Richard Bachman: A Autoestrada, publicado em 1981. Traduzida por Fabiano Morais na edição de 2013 da Editora Suma. Mas não estranhem, ainda estamos falando sobre Stephen King.

A sombra de um homem em pé em uma autoestrada no meio do nada.
A autoestrada – Richard Bachman – Editora Suma

Bachman é o pseudônimo adotado por King que escreveu 4 livros sendo eles: A Autoestrada, Fúria (não publicado no Brasil), A Longa Marcha e O concorrente.

King decretou a morte do pseudônimo em 2007 depois de escrever o último livro, Blaze ainda inédito no Brasil.

Muitos leitores de King podem desconhecer esse lado do autor, pois, poucos livros de Richard Bachman chegaram ao Brasil e mesmo os que chegaram não foram tão divulgados.

Diferenças de estilo?

Apesar de Richard Bachman escrever de uma maneira mais direta do que King, ainda encontramos muito das histórias kingnianas em Bachman. O que é natural, afinal, não tem como abandonar 100% a sua essência.

O que diferencia os livros escritos por King sob o pseudônimo de Bachman é a forma de construção das narrativas. Enquanto King se preocupa em mostrar aos leitores o background por trás das personagens, personalizá-las com detalhes específicos indo e voltando no movimento passado-presente da história, Bachman não está preocupado com isso.

As histórias de Bachman são curtas e diretas. Vão direto ao ponto e os personagens não encontram qualquer tipo de redenção. Particularmente, não consigo destacar diferenças tão gritantes entre um e outro além da economia de palavras de Bachman.

Pegando a estrada

Em A Autoestrada vamos acompanhar a trajetória até a loucura de um cidadão norte-americano comum, Barton George Dawes. A história se passa num cenário de pós-guerra do Vietnã e o país está saindo de uma forte crise.

Quando Barton recebe a notícia que uma autoestrada será construída no local do seu trabalho e da sua casa e, por isso, vão ser demolidos, o protagonista cai numa espiral de loucura.

Ressentindo com a esposa que vendeu a casa deles, Barton ainda precisa lidar com a perda do filho para um tumor cerebral e a consequente degradação do casamento que em outros tempos era tão agradável. Toda problemática delineada em torno do personagem nos faz chegar ao ponto máximo de tensão.

A casa como história de vida

Apesar de Barton tentar seguir sua rotina normal, as ideias violentas não o deixam em paz. Começa a se sentir uma ameaça para a esposa e para si mesmo. Progressivamente, a construção da autoestrada toma conta dos seus pensamentos levando-a à paranoia.

Ele tenta a todo custo fazer com que a construção não progrida. Mas em vão, o pessoal continua trabalhando até alcançar as imediações da casa de Barton.

É nítido que ele faz da sua casa o sentido da própria vida. Barton sente que se demolirem sua casa vão demolir a sua história de vida.

A loucura iminente

O protagonista é cercado por tensão durante todo o livro. Quando ele se depara com um problema, logo outro surge para abatê-lo. Nós acompanhamos a tentativa frustrada de manter-se calmo e seguir adiante, mas ele não consegue abandonar a casa e recomeçar a vida em outro lugar.

O apego de Barton à sua casa e trabalho beira à obsessão. São as únicas referências de vida que ele possui e não consegue deixá-las pra trás.

Sem finais felizes

O que esperávamos acontece no fim do livro. Ele ultrapassa qualquer limite quando decide enfrentar a autoestrada que está ameaçando a sua vida. De cidadão comum a um psicótico armado, Barton defende a sua casa munido de armas e bombas.

Ele é destruído junto com o seu lar. A mídia acompanhou o desfecho da história de Barton tornando-o o tipo de caso midiático que a população lembraria pelos próximos anos. O fim da história dele é o fim da sua própria casa e trabalho, os dois lugares que representavam toda sua história de vida.

Histórias realistas

Diferente do que acontece nas histórias de King, em A Autoestrada, Bachman explora dores humanas em situações próximas da realidade. Não há presença do sobrenatural e a perturbação da mente humana é um dos traços característicos dos livros de Bachman.

O que torna tão perturbante suas narrativas é o fato de que poderiam acontecer à nossa volta e a qualquer momento. A linguagem de Bachman não nos poupa e escancara o que há de pior em nós enquanto seres humanos.

E você, conhecia as obras assinadas por Richard Bachman? Até a próxima segunda-feira com mais do universo de Stephen King.

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