O diabo de cada dia, na Netflix

Adaptações sempre vão ser polêmicas

Enfim assisti o filme O diabo de cada dia, do Netflix, baseado no livro O mal nosso de cada dia, de Donald Ray Pollock. Aqui no Brasil, o livro foi traduzido por Paulo Raviere e lançado pela Darkside Books. Vale ler nossa resenha aqui.

O diabo de cada dia - Netflix - Canto do Gárgula
O diabo de cada dia – Netflix

Como coloquei no título, adaptações sempre serão polêmicas inegavelmente por não existir necessidade de que sejam exatamente iguais às obras originais. Elas são um novo ponto de vista daquela obra e por isso ganham rumos e ritmos diferentes.

Pontos entre o filme e o livro

A primeira impressão que tive ao assistir o filme foi o fato dele ser muito colorido. Tinha imaginado a história em preto, branco e vermelho enquanto lia. Como nossas mentes nos pregam peças, talvez tenha sido influenciado pela capa do livro lançado pela Darkside Books.

O mal nosso de cada dia - Donald Ray Pollock - Darkside Books - Canto do Gárgula
O mal nosso de cada dia, de Donald Ray Pollock

No filme você é apresentado aos vários personagens que populam a história. Todos acabam por ter suas vidas entrelaçadas. A partir daí, seus destinos vão sendo contados e passados numa velocidade bem superior à narrada do livro. 

Em vistude de ser ágil, no meu entendimento, o desenvolvimento de alguns personagens ficaram comprometidos, além disso, algumas pequenas explicações que considero importantes para montar um quadro geral. Muitas relações ali no filme ficaram leves demais quando deveriam ser mais densas. Precisamos ter em mente que um filme tem limite temporal, enquanto um livro não. Portanto, vejo o filme como uma versão diluída do livro.

Olhando o filme apenas

Alguns pontos no filme ficam bem claros. A crítica ao fanatismo religioso está presente, mas pela narrativa apresentada, acabou ficando sem o peso devido. O arco de história dos pregadores religiosos principalmente passou muito rápido na minha opinião. Ele flutua dentro do filme e estava calcado dentro da crítica religiosa. Não achei isso muito bom.

O diabo de cada dia - Netflix - Canto do Gárgula
O diabo de cada dia – Netflix – Canto do Gárgula

A vida interiorana americana de comunidades mais pobres é desnudada sem medo, com toda a sua real hipocrisia. O distanciamento social americano aliado ao massacre religioso é o pano de fundo, bem assustador por sinal. A fotografia é outro ponto que vale ser elogiado, pois ambientou perfeitamente esse interior desconhecido por nós e repleto de visões obtusas e duras, de uma vida desprovida de muitas facilidades.

O elenco sem dúvida é um ponto alto. Não pouparam nas escolhas e todos estão muito bem em seus papéis. O protagonista Arvin Russell, vivido por Tom Holland, ficou muito bem caracterizado. Outros nomes de peso como Robert Pattinson, Bill Skarsgård, Haley Bennett, compõe o elenco e acabam por dar peso ao filme. 

Conclusões finais

Um filme que vale muito ser visto, pois trabalha bem aspectos de uma sociedade que estão escondidos embaixo do tapete. O Sonho Americano vendido a nós não é praticado com as populações mais pobres. Temos isso ali.

Esse é o ponto em que a minha amiga Lígia Colares me mata (risos). Leia o livro. Pode parecer clichê, eu sei, mas vale sim buscar mais da história. Um enredo que não é leve e, principalmente, não foi escrito para leitora sensíveis, como informo na minha resenha.

Veja o filme e faça suas análises. Fico com o livro apesar de ter achado o elenco muito bem escolhido e o filme à altura de seus atores. Sei que são mídias diferentes, mas traçar paralelos não faz mal a ninguém, não é mesmo?

Bom entretenimento!

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