H. P. Lovecraft contra o mundo, contra a vida

Um título estranho, não é mesmo? 

Ao me deparar com o livro H P Lovecraft contra o mundo, contra a vida, de Michel Houllebecq, senti estranheza pelo título. Aliás desde já indico a leitura para aquele leitor que busca entender melhor não só H. P. Lovecraft, mas também sua obra. 

H P Lovecraft contra o mundo contra a vida - Michel Houellebecq - Editora Nova Fronteira
H P Lovecraft contra o mundo contra a vida – Michel Houellebecq – Editora Nova Fronteira

Publicado pela Editora Nova Fronteira, a tradução é dividida entre dois profissionais: Maria Luiza X. de A. Borges assina a tradução do prefácio e do ensaio, enquanto Alexandre Barbosa de Souza assina a tradução dos dois contos presentes na obra. 

Prefácio de Stephen King 

Um prefácio no mínimo estranho, mas que inegavelmente ao final se mostra lógico. Stephen King não concorda com muitas posições propostas por Houllebecq, mas não deixa de prestar homenagem ao raciocínio do autor. Aliás ele é enfático em esclarecer ao leitor a admiração que o ensaísta tem por Lovecraft. King não comunga deste amor, apenas entendendo a grandiosidade da obra. 

Esta visão já nos dá ideia do que vamos encontrar no ensaio. King nos alerta da paixão sem deixar de apontar a importância da reflexão. Achei bem interessante um prefácio que pode até depor contra o texto que o segue, mas dá trilho ao leitor, mantendo-o em distância segura para sua própria análise. 

Mergulhando na alma de um atormentado

Embora este ensaio seja polêmico, sua leitura é importante. Michel Houllebecq realmente mergulha corajosamente no âmago de Lovecraft, lugar onde a maioria das pessoas evitariam estar. 

Diferente do que você imagina, a admiração de Houllebecq por Lovecraft lhe permite entender como suas limitações, preconceitos e ódios são alicerces de suas criações. Alicerces compostos de questões do próprio Lovecraft

Isto é desculpa para suas posições preconceituosas? Claro que não. É apenas um ensaio corajoso que busca olhar seus frutos através dos olhos de seu criador. Não existem panos sendo passados. Há apenas uma constatação do combustível que fez a criatividade de Lovecraft acender. 

O pesquisador Caio Bezarias vai além nesta análise, em seu livro Mitologia Lovecraftiana – a totalidade pelo Horror (nossa resenha sai em janeiro de 2021), lançamento da Editora Sebo Clepsidra. O livro de Bezarias é uma análise bem aprofundada que ele fez em sua tese de mestrado descendo igualmente no cerne de Lovecraft. Percebemos que o medo exacerbado de Lovecraft o fez criar uma mitologia, que podemos chamar de masoquista, exatamente por seu traço niilista. Não existe saída a não ser a morte. 

Considerações finais

Precisamos de mais ensaios como este para levarmos discussões tão atuais à mesa. Em suma, só vamos melhorar como indivíduos através da troca de ideias. Muito além de uma tietagem que seria ridícula, Michel Houllebecq usa um olhar criterioso sobre o homem Lovecraft

Michel Houllebecq - Escritor
Michel Houllebecq – Escritor

Discordando ou não, é um ensaio que deve ser lido. O pensamento não se constrói apenas por discursos alinhados, mas principalmente pelo contraponto. 

Boa leitura!

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