Além da Imaginação e do Tempo, de Clark Ashton Smith

Um dos pilares dos Mitos de Cthulhu

Chego finalmente em Além da Imaginação e do Tempo, de Clark Ashton Smith. Este livro é importante para os amantes do horror, pois é a primeira obra publicada em uma tiragem comercial no país. 

Além da Imaginação e do Tempo - Clark Ashton Smith - Editora Clock Tower - Canto do Gárgula
Além da Imaginação e do Tempo – Clark Ashton Smith – Editora Clock Tower

A obra foi publicada pela Editora Clock Tower, que merece toda a nossa atenção e aplauso pelo trabalho que vem fazendo. Este livro prova isso por ser um resultado inegavelmente incrível. A tradução é assinada por José Geraldo Gouvêa, enquanto o livro é organizado por Denílson Carraretto

A capa é de ninguém menos que o espetacular Leander Moura e as ilustrações internas, muito importantes por sinal, são de Élson Félix. Utilizarei a sigla CAS para me referenciar à Clark Ashton Smith

Paratextos excelentes 

Além dos contos de CAS, a obra é recheada de paratextos importantes. Eles tanto ambientam o leitor quanto apresentam o autor, o que é de suma importância para o entendimento da obra do autor. 

Dentre todos, o que me chamou atenção foi O Poeta do Weird, de Alexander Meireles da Silva, uma das mais proeminentes figuras da literatura fantástica no país, não só por sua carreira acadêmica, assim como pelo seu trabalho no canal Fantasticursos, que indico à todos seguirem e consumirem. O material é inegavelmente o melhor da internet.

Neste paratexto Alexander nos coloca, dentre outras informações interessantíssimas, os possíveis motivos do esquecimento de CAS. Leitura obrigatória para quem quiser entender melhor este escritor. 

Histórias dos Mitos de Cthulhu 

Assim como para muitos dos leitores este foi meu primeiro encontro com CAS. Até então, seu nome era conhecido por mim, porém não sua produção. Abaixo seguem os contos do livro que mais me chamaram atenção.

A Prole Inominável (1932)

Incrível a construção da atmosfera deste conto. A casa onde se desenrolam os fatos têm um efeito gótico, remetendo a um passado distante. Também é fácil perceber como são ricas as descrições das cenas, todas instigantes. O suspense segue até o último momento do texto. Sensacional esta leitura. 

O Retorno do Feiticeiro (1931)

Temos um bom exemplo de como CAS e H. P. Lovecraft trocavam suas criações. Neste conto absolutamente tétrico, temos a presença do maldito Necronomicon, o livro maldito escrito por Abdul Al-Azred. Uma história também repleta de uma atmosfera pesada, onde a propriedade, afastada e enorme, evoca elementos góticos. Incrível o desfecho. 

As Sete Maldições (1934)

Este conto exemplifica bem a enorme contribuição de CAS ao Mito de Cthulhu. Ele criou inúmeras entidades poderosas, das quais algumas ficaram bem conhecidas dos leitores, como Tsathoggua, Atlach-Nacha e Abhoth. Todas são entidades que de alguma forma habitavam o imaginário dos homens da Hiperbórea, a Groenlândia de uma época anterior à última glaciação, no estilo fantasia terrível, se eternizaram dentro da mitologia. O conto nem é um espetáculo, mas mostra bem este conjunto de seres, assim como o continente esquecido. 

A vinda do Verme Branco (1941)

Temos aqui uma passagem do Livro de Eibon. Este tomo, cercado de poder, misticismo e verdades terríveis e insanas foi escrito pelo poderoso feiticeiro hiperbóreo Eibon. Seu poder necromântico, além de seu vasto conhecimento, permitiram que ele arquivasse inúmeros segredos no livro. Nesta passagem são narrados fatos relativos à entidade Rlim Shaikorth. Eibon é um personagem recorrente nos seus contos, assim como no seu livro. Mais um conto de fantasia terrível dentro da antologia. 

O Colosso de Ylourgne (1934)

Aqui conhecemos o necromante Nathaire e sua história absolutamente sinistra. Sua sede por poder e vingança é o mote do enredo, levando-o a conseguir o impossível contra aqueles que de alguma forma o perseguiram. Vingança é um tema recorrente em outros contos de CAS. Este conto inspirou Mike Mignola a escrever a história Quase um Deus (Hellboy – Edição Histórica n°3).  Percebemos como a influência de CAS é viva ainda nos dias atuais. 

Uma noite em Malnéant (1931) 

Uma das pérolas do livro, sem dúvida, é este conto do mais absoluto terror. Entretanto, falar muito dele certamente irá estragar seu final. Uma atmosfera fúnebre e triste, que a tudo toma. Será que tudo ali não passou de um delírio ou Malnéant é uma paragem tão terrível assim? Leia! 

O ídolo escuro (1934)

Mais um conto onde a vingança é o prato principal. A Hiperbórea novamente é o palco onde a fantasia sombria se desdobra. Conhecemos a história do poderoso Namirrha, nascido Narthos na cidade de Ummaos, aliás, palco da história. Necromante e mago, apesar de ter chegado ao topo e ser temido por todos, seu coração permanece inquieto com a lembrança de um passado esquecido. 

Necromancia em Naat (1936)

Em um futuro muito distante da nossa Terra, Zothique é um continente vasto e Naat fica a oeste, separados pelo Rio Negro. Naat é uma terra amaldiçoada, habitada por necromantes e mortos-vivos. Vemos aqui o lirismo de CAS imperar em meio ao horror. Um amor verdadeiro leva Yadar, um príncipe do deserto de Zyra, a buscar o destino de sua amada Dalili, sequestrada por vilões, enquanto eles caçavam. Um final bem interessante e poético, apesar de tétrico. 

Duas cartas

A obra adiciona duas cartas importantes, ainda que curtas, enviadas à CAS: Uma foi escrita por H. P. Lovecraft, em 12 de agosto de 1922;  a outra por Robert E. Howard em 23 de julho de 1935. Ambas mostram como os missivistas tinham em CAS uma influência e admiração. Dois grandes nomes que viam no autor uma fonte de ideias. Bem legal poder ler este material. 

Considerações finais 

Vendo a tabela final do livro com a obra de Clark Ashton Smith, temos a real ideia de sua vasta criação. Muitos de seus contos agradarão não apenas os leitores de fantasia sombria, assim como os leitores de horror.

Clark Ashton Smith - Escritor - Canto do Gárgula
Clark Ashton Smith – Escritor

Em resumo, Clark Ashton Smith é um nome que precisamos conhecer mais. Vejo este livro como um importante acesso a sua obra e espero que outras editoras, ou quem sabe a própria Editora Clock Tower, tragam mais de sua obra para o português. Quem ganha sempre somos nós. 

Boa leitura!

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