O Mistério de Candyman

Um comparativo do filme (1992) e do Livro.

O Mistério de Candyman é um dos filmes que me acompanham desde a infância. Ainda me lembro com assombrosa clareza de o assistir na casa da minha avó, ao passo que a história e as imagens permanecem comigo até hoje invadindo constantemente meus pensamentos. Bem como a memória emocional, outros fatores contribuíram para que eu decidisse falar do título em minha primeira coluna.

No final de 2020, ganhei o livro que deu origem a película e recebi a notícia de que Candyman ganharia um remake em 2021. O último fator me causa sentimentos dúbios: a felicidade da narrativa ganhar uma nova vida, do outro meu temor pelo como ela será recontada. Sim, eu sou um tanto desconfiada em relação a refilmagens de clássicos! Todavia ressalvas expostas, falarei aqui sobre o original de 1992, assim como do conto no qual foi baseado.

Candyman poster 1992
Candyman – poster de 1992

A trama central

A trama tem como protagonista a pesquisadora Helen Lyle (Virginia Madsen). Apesar de diferir o tema central do estudo da personagem no conto e no filme, ambos os objetos de estudo movimentam a trama do mesmo modo. Na versão escrita ela estuda grafites, na versão audiovisual lendas urbanas. Estes interesses levam Helen ao conjunto habitacional da Spector Street. Uma mudança significativa nesse cenário foi sua transferência de Londres para Chicago. Contudo, a diferença tão pequenina tem a responsabilidade de ser uma das pedras de fundação do filme. Ao deslocar a ambientação, a narrativa ganha um elemento a mais, além da crítica social e econômica presentes no conto.

No filme acompanhamos os moradores do conjunto, composto em sua maioria por negros. Isto torna a discussão e o contraste abordados no longa mais atuais que nunca, pois põe em foco o preconceito racial na sociedade estadunidense. Vale ressaltar a cena na qual Helen descobre que seu próprio apartamento, em uma zona privilegiada da cidade, tem a mesma planta dos apartamentos do conjunto habitacional. É nesse ponto que encontramos a primeira referência de uma certa duplicidade presente em todo o filme. Não é à toa que tal descoberta em relação às moradias se dá através de um vão no espelho. É na superfície espelhada que os personagens evocam Candyman e todo seu terror.

Candyman capa livro
Candyman Darkside

Um novo elemento no filme

Por consequência desse novo elemento explorado no filme, Candyman que no conto é uma entidade apavorante e misteriosa, ganha um passado: Em sua pesquisa sobre Candyman, Helen descobre que ele é filho de escravos. Apresentava enorme talento para pintura, sendo treinado por grandes mestres de seu tempo. Contratado para pintar a filha de um rico fazendeiro, o rapaz se apaixona por ela e é correspondido. O pai, por sua vez, descobre o romance e, por preconceito, o pune com uma morte exemplar.

Além disso, Candyman tem uma mão decepada, para então em seguida, ter seu corpo lambuzado de mel e ser entregue a uma colmeia. Depois de queimado, suas cinzas são espalhadas pelo terreno onde é erguido o conjunto habitacional. Além do mito de origem no filme, são incorporados traços de outras lendas urbanas ao Candyman, como um gancho no lugar da mão decepada, bem como a forma de invocá-lo: chamar seu nome cinco vezes em frente ao espelho.

No livro (leia nossa resenha aqui), o monstro é tão cruel quanto no filme. A motivação de ambos os “Candymans” também é a mesma: não cair em esquecimento para viver eternamente na imaginação e no medo dos outros. Este é o convite feito a Helen em ambas narrativas. Candyman pede, com grande carga erótica, que viva para sempre ao seu lado, entregue a ele, como uma memória do terror. Este é seu legado e ele o oferece a Helen. Morrer com prazer e dor, para viver eternamente no imaginário coletivo. Ou seja, tornar-se ela mesmo uma lenda, parte dos cantos mais obscuros da cidade e de seus moradores.

Tony Todd dá vida a Candyman

O grande destaque do filme vai para Tony Todd, que dá vida ao Candyman. O ator ganha com esse trabalho um lugar no hall dos grandes monstros do cinema por conta de sua atuação impecável. Ele personifica a essência de Candyman ao ser tanto temível quanto sedutor. Combina um trabalho de corpo e gestos elegantes, quase etéreos, com sua voz profundamente calma e olhar penetrante. Assim torna-se impossível não desenvolver analogamente asco e simpatia. Este é um dos segredos do sucesso do filme, a confusão de sentimentos díspares que Candyman desperta no espectador. Assim também, no livro, Clive Barker afeta quem o lê desta mesma forma com sua criação no limite do sublime e do hediondo.

Toni Tood Candyman 1992
Tony Todd Candyman 1992

Acima de tudo, recomendo que vejam ou revejam o filme, disponível na Darkflix e igualmente que não percam a oportunidade de ler o livro lançado no Brasil pela Darkside Books, com a tradução de Eduardo Alves e com o delicioso posfácio de Carlos Primati capaz de enriquecer a obra ainda mais. Leia nossa resenha do livro aqui.

Em conclusão, aguardo o remake este ano no espírito de Candyman, com emoções um tanto quanto mistas, porém pronta a me entregar ao seu chamado.

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2 comentários em “O Mistério de Candyman

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